Vale a pena tomar suplementos sintéticos de vitaminas e minerais?

In: Artigos|artigos científicos

13 mar 2014

Temos insistido sempre, em nossas palestras, cursos e consultas para o uso inadequado, desnecessário e,muitas vezes abusivo de suplementos de vitaminas e minerais. Apresento aqui um trabalho publicado no Annals of Internal Medicine com uma ampla revisão científica. Isso reforça o conceito do Ayurveda de uma alimentação saudável, diversificada e adaptada a cada pessoa, acompanhada do uso de ervas medicinais preparadas de diversas formas, evitando ouso destes polivitamínicos e minerais. Leiam aqui:

comprimidos“Em edição recente do periódico Annals of Internal Medicine foram publicados três artigos que abordam o papel dos suplementos vitamínicos e minerais na prevenção da ocorrência ou da progressão de doenças crônicas. As evidências disponíveis não descartam pequenos benefícios ou prejuízos ou grandes benefícios ou malefícios em um pequeno subgrupo da população, mas os autores acreditam que a suplementação da dieta de adultos bem nutridos com suplementos vitamínicos ou minerais não tem benefício claro e pode até ser prejudicial à saúde.

No primeiro artigo, Fortmann e colegas revisaram sistematicamente as evidências experimentais para atualizar a recomendação do U.S. Preventive Services Task Forcesobre a eficácia dos suplementos vitamínicos para a prevenção primária em adultos residentes na comunidade e sem deficiências nutricionais. Depois de analisar três ensaios de suplementos vitamínicos e 24 ensaios de vitaminas simples ou emparelhados que aleatoriamente contaram com a participação de 400.000 participantes, os autores concluíram que não havia nenhuma evidência clara de um efeito benéfico dos suplementos sobre a mortalidade por qualquer causa, doença cardiovascular ou câncer.

No segundo artigo, Grodstein e colaboradores avaliaram a eficácia de um multivitamínico usado diariamente para evitar o declínio cognitivo entre 5.947 homens com idade de 65 anos ou mais, participantes do estudo Physicians’ Health Study II. Após 12 anos de acompanhamento, não houve diferenças entre os grupos que receberam multivitaminas ou placebo no desempenho cognitivo global ou na memória verbal. A adesão à intervenção foi alta e o grande tamanho da amostra resultou em estimativas precisas que mostram que o uso de um suplemento multivitamínico em uma população idosa, bem nutrida, não impediu o declínio cognitivo. Os resultados encontrados por Grodstein e colaboradores são compatíveis com uma revisão recente de 12ensaios clínicos de boa qualidade que avaliaram suplementos alimentares, incluindo multivitamínicos, vitaminas do complexo B, vitaminas E e C e ômega-3 em pessoas com leve comprometimento cognitivo oudemência leve a moderada. Nenhum dos suplementos melhorou a função cognitiva.

No terceiro artigo, Lamas e associados avaliaram os benefícios potenciais de uma alta dose de um suplemento multivitamínico contendo 28 componentes, usado por 1.708 homens e mulheres com infarto do miocárdio prévio participando do ensaio clínico TACT (Trial to Assess Chelation Therapy). Após um seguimento médio de 4,6 anos, não houve diferença significativa na recorrência de eventos cardiovasculares recorrentes como uso das multivitaminas em comparação com o placebo. O estudo foi limitado pelas altas taxas de não aderência e abandono.

Outras revisões e protocolos clínicos que avaliaram o papel dos suplementos vitamínicos e minerais na prevenção primária ou secundária de doenças crônicas têm consistentemente encontrado resultados nulos ou possíveis danos. Evidências envolvendo milhares de pessoas em muitos ensaios clínicos mostram que ?-caroteno, vitamina E, e, possivelmente, altas doses de suplementos de vitamina A aumentam a mortalidade e que outros antioxidantes, ácido fólico, vitaminas do complexo B e suplementos multivitamínicos não têm nenhum benefício claro.

O uso de suplementos vitamínicos tem aumentado entre os adultos norte-americanos de 30% entre 1988-1994 para 39% entre 2003 a 2006, enquanto o uso geral de suplementos dietéticos aumentou de 42% para 53%. Tendências mostram um aumento constante no uso de suplemento multivitamínico e um declínio no uso de alguns suplementos individuais, tais como ?-caroteno e vitamina E. O declínio no uso de ?-caroteno e suplementos de vitamina E seguiram relatos de resultados adversos no câncer de pulmão e na mortalidadepor todas as causas, respectivamente. Em contraste, as vendas de polivitamínicos e outros suplementos não foram afetados por grandes estudos com resultados nulos, e a indústria de suplementos nos EUA continua a crescer, chegando a US$ 28 bilhões em vendas anuais em 2010. Tendências semelhantes foram observadas no Reino Unido e em outros países europeus.

As evidências acumuladas têm importantes implicações clínicas e de saúde pública e são suficientes para desaconselhar a suplementação de rotina. A mensagem é simples: a maioria dos suplementos não previne doença crônica ou morte, o seu uso não se justifica, e eles devem ser evitados. Esta mensagem é especialmente verdadeira para a população em geral, sem evidência clara de deficiências de micronutrientes, que representam a maioria dos usuários de suplementos nos Estados Unidos e em outros países.

As evidências também têm implicações para a pesquisa. Os antioxidantes, ácido fólico e vitaminas do complexo B são prejudiciais ou ineficazes para a prevenção de doenças crônicas, e novos ensaios clínicos de prevenção já não se justificam. A suplementação de vitamina D, no entanto, é uma área aberta para investigação, particularmente em pessoas com deficiência. Os ensaios clínicos têm sido equivocados e por vezes contraditórios. Embora estudos futuros sejam necessários para esclarecer o uso adequado desuplementação de vitamina D, o uso disseminado atualmente não é baseado em evidências sólidas de que os benefícios superam os danos.

Com relação às multivitaminas, os estudos publicados nesta edição e estudos anteriores indicam que não há benefício substancial para a saúde. Esta evidência, combinada a considerações biológicas, sugere que qualquer efeito, quer benéfico ou prejudicial, é provavelmente pequeno.

Em conclusão, ?-caroteno, vitamina E, e, possivelmente, altas doses de suplementos de vitamina A são prejudiciais. Outros antioxidantes, ácido fólico e vitaminas B e suplementos multivitamínicos e minerais são ineficazes para prevenir a mortalidade ou morbidade por doenças crônicas. Embora as evidências disponíveis não descartem pequenos benefícios ou prejuízos ou grandes benefícios ou malefícios em um pequeno subgrupo da população, os autores acreditam que a suplementação da dieta de adultos bem nutridos com suplementos vitamínicos e minerais não tem benefício claro e pode até ser prejudicial. Estas vitaminas não devem ser utilizadas para a prevenção de doenças crônicas.

Fonte: Annals of Internal Medicine, volume 159, número 12, de 17 de dezembro de 2013

Veja também:

Vitamin and Mineral Supplements in the Primary Prevention of Cardiovascular Disease and Cancer: An Updated Systematic Evidence Review for the U.S. Preventive Services Task Force

Long-Term Multivitamin Supplementation and Cognitive Function in Men: A Randomized Trial

Oral High-Dose Multivitamins and Minerals After Myocardial Infarction: A Randomized Trial

NEWS.MED.BR, 2014. Annals of Internal Medicine: vale realmente a pena usar suplementos vitamínicos e minerais para a prevenção de doenças e redução da mortalidade?. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/saude/527429/annals-of-internal-medicine-vale-realmente-a-pena-usar-suplementos-vitaminicos-e-minerais-para-a-prevencao-de-doencas-e-reducao-da-mortalidade.htm>. Acesso em: 13 mar. 2014 “

3 Responses to Vale a pena tomar suplementos sintéticos de vitaminas e minerais?

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Milton

março 13th, 2014 at 16:54

muito importante

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Luciana

julho 5th, 2014 at 22:16

Olá Dr Ruguê,

Gostaria de saber se já escreveu algum artigo sobre a perspectiva ayurvédica ou tratamentos para Mal de Alzheimer. Imagino que não haja cura, mas gostaria de saber se é possível amenizar certos desconfortos. Obrigada!

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Alexandre

novembro 7th, 2014 at 06:54

Boa dia!

Tenho lido ultimamente sobre a Medicina Ayurvédica e soube das purificações promovidas pelo Panchakarma.

Em virtude de eu estar com polipose avançada na vesícula biliar, gostaria de saber se tal terapia garante a eliminação dos pólipos, pois estou com recomendação de 4 médicos (3 gastroenterologistas e uma médica também acupunturista) para retirar a vesícula, e não gostaria de me submeter a tal procedimento.

Obrigado.

Att.,

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